Se a vida te der um limão, faça um bolo de tâmaras!

A vida da gente traça caminhos tão tortuosos que, às vezes, a gente se vê com um "limão nas mãos". Aquele, que o ditado diz ser melhor transformar numa limonada. Ocorre que nem sempre é tão fácil assim encontrar a receita da tal limonada. E, mesmo que seja algo aparentemente simples de fazer - porque demanda apenas 2 ou 3 ingredientes -, as condições em que aquela limonada deverá ser feita interferirão em todo o processo. 

A primeira vez que experimentei tâmaras foi no Mercado Municipal de São Paulo. Confesso que eu não consegui entender por que tanta gente celebrava a dita, iguaria caríssima e doce como melado. Depois desta experiência, só consigo me lembrar de tê-las comido novamente quando um casal de amigos, que vive em Doha, veio nos visitar e nos deram uma caixa de tâmaras recheadas de presente. E daí a experiência foi outra. Maravilhosa! Desenvolvimento de paladar? O fato de estar vivendo como expatriada? Outras referências? Tudo junto?

"Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras." Provérbio oriental.

"Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras." Provérbio oriental.

Eu já disse que quando eu tinha 15 anos eu  achava minha vida chata porque morava no mesmo apartamento desde que tinha nascido. Tempo voa e hoje eu sou uma pessoa que monta e desmonta a vida inteira em lugares diferentes a cada 2 ou 3 anos. A idéia da limonada, que serviu para as tâmaras, se aplicou significativamente neste processo. A gente muda o tempo todo. Porém, ouso dizer que a vida meio nômade que levo hoje me virou do avesso de uma forma que eu fiquei um tempo procurando "cadê a Paula que estava aqui?". Muito mais do que lidar com o envelhecimento inevitável, as mudanças de cenário, a irregularidade nas atividades profissionais, a perda da proximidade da família e dos amigos, além de uma vida nova com data de validade pra construir quase do zero. O estilo de vida que levo desde que saí do Brasil me fez questionar praticamente tudo o que eu sabia ao meu respeito. Percebi coisas sobre mim mesma que eu desconhecia e que foram-me reveladas em situações das mais diversas. Quando há choque de culturas então, parece que o processo de reconhecimento toma uma dimensão incrível, porque ele envolve uma desconstrução nível-hard. Você se vê com medo e acuado. E este medo é o seu limão. Como transformar o medo em limonada? 

Fonte: Gazeta do Povo

Fonte: Gazeta do Povo

Quando meu marido chegou em casa com 4 pacotes, de 1 quilo cada, de tâmaras eu pensei "o que eu vou fazer com tantas tâmaras?". Isso me incomodou e eu coloquei os pacotes na despensa pra pensar um pouco. Como pode um carregamento de tâmaras, de presente, aborrecer uma pessoa? Até que eu entendi que da mesma forma que eu estava aprendendo a lidar com as perdas e ganhos da vida expatriada fazendo minha limonada, eu deveria receber os presentes que vinham de maneira a transformá-los em algo mais prazeroso. Eu percebi que eu poderia agradar outras pessoas com o presente que tinha ganhado. Desta forma, dois pacotes foram oferecidos a amigos e os outros dois foram oferecidos em forma de bolo. O mais interessante disso tudo foi que, compreendendo que eu só poderia resolver meu problema sendo generosa com outras pessoas, eu acabei sendo muito mais generosa comigo mesma. E ainda, de quebra, voltei a escrever no blog! 

Esta receita foi garimpada na internet e adaptada. Fiz em 3 ocasiões distintas, uma delas para celebrar os 90 anos de uma amiga que fiz aqui no Sri Lanka. Muitas pessoas comeram dele. Elogiaram. Eu amei. E agora divido esta delícia com quem quiser, finalizando com a certeza de que minha vida de expatriada tem me proporcionado mais ganhos do que eu pensava. E que compartilhar minhas experiências por meio deste blog me faz um bem danado e eu devo valorizar mais isso. Bom apetite!

Bolo de tâmaras, nozes e uísque, com cobertura de chocolate e caramelo levemente salgado.

Para o bolo:

250ml de água filtrada

430g de tâmaras secas, descaroçadas

3 colheres de sopa de uísque (pode ser rum ou conhaque também)

2 colheres de sopa de café coado forte

4 colheres de sopa de cacau em pó

200g de farinha de trigo 

1 pitada de sal

1 colher de sobremesa de canela em pó (se quiser pode por mais ou incrementar com outras especiarias como cravo, cardamomo, noz-moscada)

130g de manteiga sem sal, temperatura ambiente (mais uma colher para untar a forma)

120g de açúcar demerara

3 ovos inteiros grandes

1 colher de chá de fermento em pó

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

60g de nozes pecã ou comuns picadas

Modo de fazer: 

Descaroce as tâmaras, pese-as e coloque-as numa tigeja resistente ao calor. Faça a mise en place completa da pasta de tâmaras. Ferva a água e verta-a sobre as tâmaras - a quantidade será suficiente para cobri-las. Passe o café bem forte e adicione as duas colheres dele à tigela. Junte o cacau em pó peneirado, a bebida alcoólica (aqui na foto eu coloquei 2 colheres de uísque e uma de rum, mas pode ser tudo de uma coisa só) e misture. Deixe esfriar pra continuar a receita.

Descaroce as tâmaras, pese-as e coloque-as numa tigeja resistente ao calor. Faça a mise en place completa da pasta de tâmaras. Ferva a água e verta-a sobre as tâmaras - a quantidade será suficiente para cobri-las. Passe o café bem forte e adicione as duas colheres dele à tigela. Junte o cacau em pó peneirado, a bebida alcoólica (aqui na foto eu coloquei 2 colheres de uísque e uma de rum, mas pode ser tudo de uma coisa só) e misture. Deixe esfriar pra continuar a receita.

Enquanto espera a pasta de tâmaras esfriar, pré-aqueça o forno a 180 graus e separe o restante dos ingredientes. Unte a forma com manteiga e forre com um papel manteiga. Unte por cima do papel. Reserve.

Enquanto espera a pasta de tâmaras esfriar, pré-aqueça o forno a 180 graus e separe o restante dos ingredientes. Unte a forma com manteiga e forre com um papel manteiga. Unte por cima do papel. Reserve.

Quando a mistura de tâmaras estiver fria processe-a com um mixer, ou no liquidificador, até que vire uma pasta. Separe 1/4 do total da mistura em um  bowl  menor.  Reserve.

Quando a mistura de tâmaras estiver fria processe-a com um mixer, ou no liquidificador, até que vire uma pasta. Separe 1/4 do total da mistura em um bowl menor. Reserve.

Bata a manteiga pomada com o açúcar até que ganhe volume e fique esbranquiçado. Adicione um ovo por vez, batendo sempre para que ele se incorpore inteiro na massa. Ao acrescentar o terceiro ovo você perceberá que a massa estará com um aspecto levemente talhado. É normal.

Bata a manteiga pomada com o açúcar até que ganhe volume e fique esbranquiçado. Adicione um ovo por vez, batendo sempre para que ele se incorpore inteiro na massa. Ao acrescentar o terceiro ovo você perceberá que a massa estará com um aspecto levemente talhado. É normal.

Misture os secos todos numa tigela grande e tenha à mão as 3 tigelas.

Misture os secos todos numa tigela grande e tenha à mão as 3 tigelas.

Incorpore a pasta de tâmaras em 3 partes, intercalando com os secos. Adicione as nozes picadas no início da mistura, assim que adicionar a primeira parte da pasta de tâmaras.

Incorpore a pasta de tâmaras em 3 partes, intercalando com os secos. Adicione as nozes picadas no início da mistura, assim que adicionar a primeira parte da pasta de tâmaras.

Finalize a mistura dos ingredientes de maneira bem delicada. A massa é bastante densa e aveludada. Verta sobre a forma e nivele-a com a ajuda da espátula/pão-duro. Leve ao forno pro aproximadamente 1 hora, ou até que um palito inserido no centro do bolo saia limpo. Tire o bolo do forno e espere que esfrie completamente.

Finalize a mistura dos ingredientes de maneira bem delicada. A massa é bastante densa e aveludada. Verta sobre a forma e nivele-a com a ajuda da espátula/pão-duro. Leve ao forno pro aproximadamente 1 hora, ou até que um palito inserido no centro do bolo saia limpo. Tire o bolo do forno e espere que esfrie completamente.

Cobertura

50g de manteiga sem sal

60g de açúcar demerara

1 colher de sopa rasa de água filtrada

1 a 2 pitadas de sal

100g de chocolate meio amargo (de preferência acima de 60% cacau)

2 colheres de sopa de uísque (ou a bebida que você escolheu usar no bolo)

Modo de fazer: 

Enquanto esfria o bolo, faça a cobertura: leve o açúcar, a manteiga e a água ao fogo. Assim que a manteiga derreter inteiramente, conte 3 minutos em fogo baixo.

Enquanto esfria o bolo, faça a cobertura: leve o açúcar, a manteiga e a água ao fogo. Assim que a manteiga derreter inteiramente, conte 3 minutos em fogo baixo.

Quando o caramelo estiver com borbulhas médias é hora de tirar. Adicione as duas colheres de creme de leite fresco gelado à mistura. Isso vai ajudar a arrefecer a temperatura. Adicione o chocolate e misture até que ele derreta por completo. Junte o uísque, misture e deixe que atinja a temperatura ambiente.

Quando o caramelo estiver com borbulhas médias é hora de tirar. Adicione as duas colheres de creme de leite fresco gelado à mistura. Isso vai ajudar a arrefecer a temperatura. Adicione o chocolate e misture até que ele derreta por completo. Junte o uísque, misture e deixe que atinja a temperatura ambiente.

 

Montagem: 

Com o 1/4 restante da pasta de tâmaras, cubra a parte superior do bolo...

Com o 1/4 restante da pasta de tâmaras, cubra a parte superior do bolo...

nivelando-a bem para que receba o creme de chocolate. Aproveite para a certar alguma imperfeição da superfície do bolo com a pasta.

nivelando-a bem para que receba o creme de chocolate. Aproveite para a certar alguma imperfeição da superfície do bolo com a pasta.

Coloque o creme de chocolate por cima e nivele com uma espátula de confeitaria ou com as costas de uma colher de sopa. Aqui em Colombo é muito quente, a cobertura estava muito líquida e eu a queria mais firme. Adicionei um pouco mais de cacau em pó e amido de milho pra deixá-la mais densa.

Coloque o creme de chocolate por cima e nivele com uma espátula de confeitaria ou com as costas de uma colher de sopa. Aqui em Colombo é muito quente, a cobertura estava muito líquida e eu a queria mais firme. Adicionei um pouco mais de cacau em pó e amido de milho pra deixá-la mais densa.

Espalhe o creme de chocolate com cuidado para não trazer a pasta de tâmaras à superfície. Decore por cima com nozes ou tâmaras e sirva.

Espalhe o creme de chocolate com cuidado para não trazer a pasta de tâmaras à superfície. Decore por cima com nozes ou tâmaras e sirva.

Uma fatia é um ótimo acompanhamento para um chá preto!

Uma fatia é um ótimo acompanhamento para um chá preto!

[Meatless Day / Dia sem carne] Falafel com molho de Tahini

Parece mentira, mas eu fui provar Falafel pela primeira vez em Miami. Ou seja, foi ontem! Sempre ouvi as comparações feitas com o bolinho do Acarajé, já que ambos são feitos à base de leguminosas, e achava que eram quase que a mesma coisa, fritos e recheados de algo. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que Falafels normalmente são "o recheio" em sanduíches feitos com pão pita e salada de pepinos com tomates ou outros vegetais. Mas também são excelentes comidos sozinhos. 

Os bolinhos têm, como todas as grandes receitas do mundo, sido motivo de rixa entre vários povos do Oriente Médio, que reclamam sua invenção. Portanto, você vai encontrá-los nas mais diversas culturas, de Jerusalém ao Irã, indo para o Egito e voltando ao norte do Oriente Médio. Algumas diferenças são encontradas nos ingredientes em cada país e eu já não me canso de imaginar como será o sabor de cada uma das versões. 

No Egito, desde os primeiros coptas até hoje, o falafel é feito de favas verdes, sem grão-de-bico. Já no Líbano, na Síria, na Palestina e na Jordânia atuais misturam-se as duas leguminosas. Em Israel, vai só grão-de-bico.
— (Estadão, Caderno Paladar. Dezembro de 2015)

Miami tem uma comunidade judaica considerável. Isso faz com que haja bons lugares para se comer o bolinho de grão de bico com ervas frescas na cidade. Experimentei vários, a maioria dos lugares ficam em Miami Beach onde a concentração de judeus é maior. Mas o que me fez definitivamente morrer de amores por eles foi a receita servida no Michael's Genuine Food

O Falafel é um ótimo substituto de carnes numa refeição. Até meu marido, carnívoro convicto, é capaz de comer uma refeição sem carne numa boa quando eles estão presentes. Se feitos com o molho de tahine e as cebolas em conserva, ainda ganham um sabor a mais. E pode ser servido de inúmeras formas. O bom desta receita também é que ela não leva nenhuma farinha na massa pra dar liga. O resultado é um bolinho muito mais leve e úmido do que os que você provavelmente já comeu.

A receita publicada aqui é do Michael Schwartz. Ele esteve no programa da Martha Stewart pra divulgar o lançamento de seu livro e deu a receita. Na página há um vídeo com ele mostrando à ela como se faz (em inglês). 

Falafel com molho de Tahini

2 xícaras de grão de bico seco, escolhido e lavado

1 cebola roxa pequena picada grosseiramente

4 dentes de alho esmagados

1/2 xícara de salsinha fresca 

1/2 xícara de folhas de coentro fresco

1/2 xícara de hortelã fresca

1 colher de chá de cominho moído

1 colher de chá de sementes de coentro moído

1 colher de chá de fermento químico em pó

1 1/2 colher de chá de sal (kosher, de preferência)

1 1/2 colher de chá e meia de pimenta do reino moída na hora

Óleo de Canola para fritar por imersão

Modo de fazer:

Ponha o grão de bico de molho por 12 até 24 horas. Os grãos irão mais do que dobrar de volume, portando coloque 3 vezes mais água que as medidas de grãos. Cubra e leve a vasilha à geladeira.

Ponha o grão de bico de molho por 12 até 24 horas. Os grãos irão mais do que dobrar de volume, portando coloque 3 vezes mais água que as medidas de grãos. Cubra e leve a vasilha à geladeira.

Observe como mais que dobrou de volume! Aqui levou 12 horas. Se após este tempo você achar que ainda precisa mais, deixe até no máximo 24 horas. Depois deste tempo a tendência é o grão acumular líquido demais, o que não é o objetivo.

Observe como mais que dobrou de volume! Aqui levou 12 horas. Se após este tempo você achar que ainda precisa mais, deixe até no máximo 24 horas. Depois deste tempo a tendência é o grão acumular líquido demais, o que não é o objetivo.

Aqui os grãos, antes e depois de permanecerem de molho. Pra dar uma referência de como o grão hidrata durante o remolho.

Aqui os grãos, antes e depois de permanecerem de molho. Pra dar uma referência de como o grão hidrata durante o remolho.

Cumprida esta tarefa, e após preparar todos os ingredientes, coloque o grão de bico drenado no processador de alimentos (cuidado pra não ter água no fundo da tigela!) e bata um pouco para que os grãos sejam picados num tamanho próximo ao da canjiquinha. Se você não tem um processador, divida a quantidade em 4 partes ou mais e bata no liquidificador na função pulsar. 

Adicione a cebola, o alho, as ervas e as especiarias, junto com o fermento o sal e a pimenta e bata novamente até que se forme uma pasta grosseira. Assim que você perceber que a massa junta-se facilmente se apertada, está bom. 

A descrição acima é a do próprio Schwartz. Eu gosto de inverter o processo e processar as ervas primeiro. Pra deixar a massa bem verdinha e temperada! 

A descrição acima é a do próprio Schwartz. Eu gosto de inverter o processo e processar as ervas primeiro. Pra deixar a massa bem verdinha e temperada! 

Aqui a massa já finalizada. É bom você provar um pouquinho pra ver se está bom ou se precisa ajustar o tempero. Normalmente não será preciso.

Aqui a massa já finalizada. É bom você provar um pouquinho pra ver se está bom ou se precisa ajustar o tempero. Normalmente não será preciso.

Faça bolinhas ou outro formato que preferir, lembrando de compactar a massa para que ela fique firme e unida. Lembre-se de que os bolinhos não podem ser muito grandes, porque o grão de bico ainda está cru e precisa cozinhar durante a fritura! Que bolinhas lindas!

Faça bolinhas ou outro formato que preferir, lembrando de compactar a massa para que ela fique firme e unida. Lembre-se de que os bolinhos não podem ser muito grandes, porque o grão de bico ainda está cru e precisa cozinhar durante a fritura! Que bolinhas lindas!

Frite por imersão em óleo não muito quente. Frite em etapas, não encha muito a panela de óleo. E não mexa nos bolinhos imediatamente depois de colocá-los no óleo quente. Lembre-se de que a massa é muito frágil e é preciso formar uma crosta neles antes de movê-los. Quando estiver dourado por fora, retire e seque num papel de pão ou papel toalha. 

Frite por imersão em óleo não muito quente. Frite em etapas, não encha muito a panela de óleo. E não mexa nos bolinhos imediatamente depois de colocá-los no óleo quente. Lembre-se de que a massa é muito frágil e é preciso formar uma crosta neles antes de movê-los. Quando estiver dourado por fora, retire e seque num papel de pão ou papel toalha. 

[Café da manhã] Shakshuka

O café da manhã é uma das refeições mais importantes do dia. Lá em casa nos acostumamos, desde cedo, a fazer a primeira refeição em casa. Por isso eu tenho tanta dificuldade em sair de casa sem comer algo. Fico mal humorada, tenho dor de cabeça... Mesmo em meus tempos de moradora de república eu fazia meu café, raramente comia algo na rua.

É claro que tomar café na rua é bacana e gostoso e existem muitos lugares que oferecem opções super bacanas para isso. Estas reservo para os fins de semana. Foi numa destas saídas pra tomar café fora de casa que provei, num restaurante que frequentávamos em Miami para o Brunch, a Shakshuka pela primeira vez. Já tinha ouvido falar e estava louca pra experimentar. Pedi e me apaixonei! Tratam-se de ovos assados num molho denso de tomates e pimentões com especiarias típicas da Tunísia. Quer dizer, uma das versões é assim. O prato pode ser modificado de acordo com o que está disponível em cada estação. 

O livro Jerusalém, de autoria do Yottam Ottolenghi e Sami Tamimi, é um dos livros adquiridos recententemente que eu mais gosto. Aliás, quando me mudei para Miami passei a ter um maior contato com a comida israelense que me fez morrer de amores. Na verdade, é um tanto quanto complicado definir o que é, de fato, a comida israelense, porque ela tem muitos pontos de contato com a comida árabe, como conhecemos. E é isso que o livro tenta mostrar. Os povos têm a mesma origem, né? 

Abaixo, uma visita que Ottolenghi fez à Tunísia.

Uma das coisas mais bacanas do livro é que os dois autores são, cada um deles, representantes dos dois povos em conflito - há tanto tempo - na tentativa de estabelecerem-se sua terra. E o que pode parecer esquisito pra muita gente na verdade retrata uma realidade escondida dos noticiários: o desejo de convivência e coexistência pacífica por significativa parte dos israelenses e palestinos em Jerusalém. Eu tenho muita vontade de conhecer a cidade sagrada, muito mais pelos gostos e cheiros que as comidas oferecem e as diferentes culturas que coexistem ali. A parte religiosa me chama a atenção, sim. Mas com menor intensidade, devo confessar. Não dá pra ignorar que esta é a cidade sagrada das três grandes religiões monoteístas do mundo. Mas eu morro de vontade mesmo é de passear sem pressa pelos corredores do mercado principal da cidade velha. A comida tem o poder de reunir estas pessoas tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. 

Esta receita a primeira de várias que eu desconfio que aparecerão no blog. É um prato lindo, quente, perfumado  e apimentado, pra ser comido com um pão bem gostoso. 

Seus cafés da manhã jamais serão os mesmos. 

Shakshuka de tomates e pimentões

Você pode fazer a sua própria harissa em pasta, basta clicar na palavra dentre os ingredientes para assistir ao vídeo explicativo. Eu usei uma em pó que encontrei pronta. 

Você pode fazer a sua própria harissa em pasta, basta clicar na palavra dentre os ingredientes para assistir ao vídeo explicativo. Eu usei uma em pó que encontrei pronta. 

2 colheres de sopa de azeite de oliva

2 colheres de sobremesa de harissa*

2 colheres de chá de extrato de tomate

300g de pimentões vermelhos grandes cortados em "cubos"

4 dentes grandes de alho finamente cortados

1 colher de chá de cominho moído

800g de tomates maduros grandes ou a mesma quantidade de tomates pelados enlatados

4 ovos + 4 gemas

120g de Labne ou iogurte grego sem açúcar. 

sal a gosto

Aqueça a panela em fogo médio. Coloque o azeite, o harissa, o extrato de tomates, o alho, o cominho e metade do sal. Misture de modo que a mistura aqueça por igual e libere seu perfume. 

Aqueça a panela em fogo médio. Coloque o azeite, o harissa, o extrato de tomates, o alho, o cominho e metade do sal. Misture de modo que a mistura aqueça por igual e libere seu perfume. 

Adicione os pimentões picados, mexendo sempre em fogo baixo. Cozinhe até que os pedaços fiquem macios e quase se dissolvam. Adicione os tomates e continue em fogo baixo até que os tomares virem purê. 

Adicione os pimentões picados, mexendo sempre em fogo baixo. Cozinhe até que os pedaços fiquem macios e quase se dissolvam. Adicione os tomates e continue em fogo baixo até que os tomares virem purê. 

Distribua a pasta em partes iguais nos  ramekins  (ou você pode fazer tudo na mesma frigideira onde cozinhou tudo. Basta fazer alguns buracos na pasta para acomodar os ovos e as gemas.), fazendo um buraco no meio para os ovos. 

Distribua a pasta em partes iguais nos ramekins (ou você pode fazer tudo na mesma frigideira onde cozinhou tudo. Basta fazer alguns buracos na pasta para acomodar os ovos e as gemas.), fazendo um buraco no meio para os ovos. 

Com a ajuda de um garfo, misture um pouco as claras com o molho espesso, tomando cuidado para manter as gemas intactas. Se fizer nos  ramekins , asse-os em forno a 180 graus pré-aquecido por uns 15 minutos (vai depender do seu forno). Se optar for fazer na frigideira, basta levá-la ao fogo baixo novamente, até que as claras cozinhem e as gemas fiquem ainda moles. você pode tampar um pouco pra ajudar. 

Com a ajuda de um garfo, misture um pouco as claras com o molho espesso, tomando cuidado para manter as gemas intactas. Se fizer nos ramekins, asse-os em forno a 180 graus pré-aquecido por uns 15 minutos (vai depender do seu forno). Se optar for fazer na frigideira, basta levá-la ao fogo baixo novamente, até que as claras cozinhem e as gemas fiquem ainda moles. você pode tampar um pouco pra ajudar. 

O  labne  é um queijo parecido com o  Chanclish  que temos abundantemente no Brasil. Mas este daqui é cremoso, como um iogurte. Você pode fazer um misturando um pouco de iogurte natural em  chanchish  ralado se quiser. ou pode tentar fazer o seu próprio   labne   em casa. 

O labne é um queijo parecido com o Chanclish que temos abundantemente no Brasil. Mas este daqui é cremoso, como um iogurte. Você pode fazer um misturando um pouco de iogurte natural em chanchish ralado se quiser. ou pode tentar fazer o seu próprio labne em casa. 

Antes de comer, misture um pouco o ovo no molho. Ele se encarregará de terminar de cozinhar a gema. Mas se você gosta de gema mole como eu, se joga! 

Antes de comer, misture um pouco o ovo no molho. Ele se encarregará de terminar de cozinhar a gema. Mas se você gosta de gema mole como eu, se joga! 

Sirva com um belo pão tostado, uma colherada de labne ou iogurte grego polvilhado com cebolinha por cima. Bom apetite!

Sirva com um belo pão tostado, uma colherada de labne ou iogurte grego polvilhado com cebolinha por cima. Bom apetite!